Medo

O medo.

Para falar sobre medo, só poderei contar os meus medos, aqueles que ao longo destes anos me aterrorizaram e me causaram alguns momentos de pânico, não sendo fácil contorna-los e muito menos vence-los. Daí pense para cada medo exista uma causa; Por exemplo um dos medos mais difícil e longo, foi quando me mandaram para a guerra em Angola. Este é um dos medos com uma causa limite, por estar em jogo a nossa própria vida, e mais longo por ainda antes de lá chegar o sofrimento já prevalecer com a dúvida!.. Será que esta guerra vai terminar antes que me chamem? Será tudo verdade aquilo que dizem aqueles que de lá veem? Será que o melhor que tenho a fazer é emigrar? E a minha família? Nem sequer os posso vir visitar, duvidas sempre dúvidas com medo há mistura, e o dia que tanto temia chegou. Desconhecendo outro medo paralelo que foi a viagem de barco. Bem a seguir vem mesmo o pior, o caminhar ao encontro daquilo que mais me apavorava, mesmo sem guerra foi aterrador a entrada em picadas com o capim altíssimo onde formava um túnel que mais parecia sermos engolidos por um monstro, estou a falar apenas do primeiro obstáculo em que o verdadeiro medo relacionado á guerra me fez quase entrar em pânico. Depois temos que nos habituar a viver sempre com o medo, ficamos expostos diariamente a uma guerra de guerrilha, de improviso não há dia nem hora para se combater, acontece quando menos se espera, por isso o medo nunca desaparece, claro que á momentos quando nos sentimos debaixo de fogo, quando temos que patrulhar 30 Km de picada onde somos informados de poder encontrar minas anti-carros eu condutor em dia que sou o da frente sentado em sacos de areia esperando a cada metro que passa ouvir a explosão e ficar sem pernas e braços. Este medo não pode ser igual aquele que com 5 ou 6 anos ter medo do escuro. Nem igual ao primeiro dia que fui para a escola com quase 7 anos aqui o medo e a saca de pano preta escondida atras das costa, talvez na tentativa de combater a vergonha da saca preta não ser igual á dos meus futuros companheiros. Aqui estou a falar dum outro tipo de medo Com 11 anos fui aprender a arte de marceneiro, a saída do trabalho de inverno as 8 horas da noite não havia luz publica 3 Km que separava o trabalho da minha casa, o caminho um carreiro em terra batida e para não variar o escuro, o dilema continuou não havia alternativas fazia o trajeto a correr acho que mal ponha os pés no chão, caía imensas vezes mas levantava-me ainda mais depressa, quando chegava a casa recomponha-me do susto, e quando minha mãe e irmãos me perguntavam não tiveste medo? Começaram as primeiras mentiras ainda a tremer dizia muito rápido não!.. Estes medos apesar de diferentes deixaram marcas profundas algumas muito serias outras apesar de serias dão vontade de rir, estou a referir-me concretamente aos medos da adolescência, naquela fase em que começamos a pensar em raparigas; nesse tempo nas desfolhadas era a altura ideal para esses encontros, só que o difícil era meter conversa e continua-la, acho que esse foi também um dos medos pela qual passei.

Estes últimos medos que falei com exceção da guerra, foram medos próprios do meu crescimento. Apesar de hoje o medo do escuro estar praticamente banido, já que há luzes em todo o lado, mesmo assim passou a existe um outro medo, com nome diferente mas criando problemas gravíssimos a uma faixa etária muito vasta como, doenças do foro psicológico de difícil tratamento. Estou a referir-me concretamente a depressões, ansiedade, fobias, traumas, bowlings, ideias suicidas, complexos de inferioridade, fragmentação de autoestima, ciúme, raiva, etc. Para tratamento destas novas doenças apareceram então os psicólogos e psiquiatras tendo um trabalho árduo pela frente no combate permanente a esta sociedade consumista e stressante que não tem sabido controlar os seus medos, recorrendo constantemente a antidepressivos.

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